
Hoje quero falar de um blog sobre cidadania italiana depois de ver um vídeo. O blog em questão é o Minha Saga e se refere diretamente a cidadania italiana. O blog é escrito pelo blogueiro Fabio Barbiero.
Primeiro, o blog é muito informativo e tem muita informação de qualidade. Neste ponto, no aspecto técnico da coisa, concordo com quase 95% do que o blog afirma e o Fabio escreve. Ele também deixa umas dicas papo reto bem estilo ao nosso blog, o Verdadeira Italia, para pessoas que vivem no mundo da fantasia. Também concordo com isso. O conselho dele em respeitar a cultura local, aprender o idioma e NUNCA forçar aquela brasilidade falsa e forçada de samba, carnaval e futebol na rua é o melhor de todos. Lembrem-se: no exterior você não esta no Brasil.
Infelizmente, existe um lado que discordo mais. Isto faz parte. Ninguém precisa concordar com outras pessoas sempre e também quem sou eu para querer comandar opiniões alheias. O que perde credibilidade é distorcer fatos em virtude de uma paixão familiar seja ela lusitana, holandesa, italiana ou nacionalismo cego brasileiro como diz o povo deslumbrado. E isto cabe ser discutido.
Não conheço o Fabio pessoalmente e o que sei dele é através de blogs e vlogs. Quando ele fala da parte técnica da coisa e de fatos ele é quase 100%. Mas ele tende a negar fatos muitas vezes para provar que a Itália é superior aos lugares do planeta em virtude da sua "paixão" e negar a realidade.
O Fabio parece (não o conheço pessoalmente) ser aquele tipo de brasileiro que se acha italiano. Nos mais de 10 anos que morei na Itália conheci muitos destes. Pensam serem os maiorais por terem um sobrenome italiano. Sou de origem portuguesa e conheço pessoas que tem este orgulho babaca de "sou italiano, lusitano, africano, japonês,...". Quando chegam na terra dos antepassados eles fazem um esforço descomunal não para se adaptar e aprender (isto faz parte e é bom). Eles passam deste ponto e chegam a negar a realidade para afirmar x nacionalidade.
Exemplos: Uma pessoa Z tem 35 anos. Nasceu, cresceu e viveu por 35 anos no Brasil. Vai pra Noruega e mora lá por 3 anos. A pessoa começa a dizer que é norueguesa. Isto é loucura, né? Mas é o que mais existe na Itália. E isso não é coisa somente de Brasil. Quando morei na Austrália conheci umas italianas que para parecerem mais "integradas" a cultura australiana liberavam a pepeka geral pros australianos e assim se autoafirmarem perante as meninas espanholas com quem dividiam uma casa. E nem vou falar das brasileiras que sempre repetem aquele padrão funkeiro mundo afora e aquelas que ficam em silencio quando as funkeiras causam mas colocam a culpa na lua (????) Tudo isso para a famosa "integração".......
Mas e o passaporte europeu que eu tenho agora, Druida? Galera, existem milhões de pessoas com passaporte europeu. Vocês não são os escolhidos da Matrix. O seu passaporte da direito para você viajar, permanecer por tempo indeterminado, trabalhar, residir. Mas a não ser que você tenha saído do Brasil criança pequena e criado em um novo lugar você nunca vai ser um deles (escolha a nacionalidade que desejar). Você pode se integrar, saber do lugar mas sempre vai ser um brasileiro. Isso vale para quem tem passaporte europeu, japonês, africano, etc e etc. Você pode ter 5 nacionalidades e passaportes e aprender coisas em diversos lugares mas nacionalidade não é como roupa que você troca.
E o orgulho da minha família, Druida? 2015, pessoal. Eu tenho orgulho dos meus antepassados mas eles falecerem ou virão a falecer. Os respeito mas eu sou eu e tenho orgulho do que sou, do que faço, tento construir a minha historia. Ponto final. Bola pra frente.
A que ponto chega o fanatismo de se integrar ?Sei de pessoas brasileiras que vieram morar na Itália por 2 anos que brigaram com outros brasileiros por "não cortarem pizza ao modo italiano". Ou por usarem um molho de pasta não italiano e aqui posso dar um milhão de exemplos sobre picuinhas que presenciei na Itália de gente maluca que quer se autoafirmar como falsos nativos. Eu cozinho bem , adoro cozinhar, conheci muitos lugares e sempre aprendi coisas novas mas nunca ao ponto de brigar com outra pessoa para provar uma coisa que não sou e aparecer no Facebook ou no falecido Orkut como "a pessoa integrada".
Em um outro vídeo do Fabio ele afirma que não existe crise na Itália. E claro, pega como exemplo o amigo do amigo que tem trabalho. Aquela pessoa que diz não generalizem mas generaliza pegando ela como exemplo. Hoje a Itália começa a dar uns passos lentos de recuperação mas muitos italianos ainda hoje migram para a Austrália, Reino Unido, EUA e Brasil. A crise existiu de fato e para uns ainda existe.
O Fabio não sei se viaja muito ou morou em outros lugares mas ele parece sofrer de uma coisa comum com brasileiros que se fecham na sua bolha de vidro em terras italianas. As pessoas acham que a Itália é padrão de comportamento em tudo. Muita calma nesta hora. Em muitas coisas a Itália passa longe de ser exemplo assim como o Brasil. Ambos podem possuir uma ou outra coisa exemplar mas em geral não são aquela Brastemp. Devo avisar ainda em 2015 para algumas pessoas sem noção que todo lugar possui defeitos e qualidades. Vamos acordar pessoal.
Basta você pegar um avião e ir visitar uns lugares na Europa que você vai ver europeus que nada se importam em como comer uma pizza, se você tem sotaque, se você detesta café ou vinho. E ninguém vai xingar ninguém por isso. Sem picuinhas. Cada um tocando a vida. Claro que uns são racistas como existem em qualquer lugar, mas ninguém vai te incomodar porque você cortou uma pizza diferente. Esta doideira que beira a doença acontece somente na Itália.
Saiam da Itália, pessoal. Peguem a avião para conhecer um outro lugar e quebrem este padrão de comportamento italiano achando picuinhas uma coisa normal na Europa. Não é normal e revela uma boa parte da cultura de um povo traumatizado. Abram a mente de vocês.

